O Papel da Inflamação Neurogênica na Fisiopatologia da Fibromialgia

 

A inflamação neurogênica refere-se à inflamação que é o resultado da liberação de vários neuropeptídeos, quimiocinas e citocinas das terminações periféricas dos nervos sensoriais em resposta a danos nos tecidos ou estímulos dolorosos. No contexto da cicatrização de feridas, a inflamação neurogênica ajuda a manter a integridade do tecido e facilita a reparação tecidual.1 No entanto, a inflamação neurogênica também tem sido implicada na fisiopatologia de inúmeras doenças, incluindo síndrome dolorosa regional complexa, enxaqueca e síndromes do intestino irritável e da bexiga.

Uma revisão de 2018 em Seminars in Immunopathology por Geoffrey Littlejohn, MD, da Monash University, Melbourne, Austrália, apresenta evidências de que muitos dos sintomas característicos da fibromialgia resultam de inflamação neurogênica no sistema nervoso central e na periferia.2 Características clínicas comuns da fibromialgia que podem ser influenciadas pela inflamação neurogênica incluem manifestações cutâneas, inchaço local dos tecidos moles e retenção de líquidos, descoloração reticular da pele e livedo reticular, e níveis aumentados de fibronectina, que é um marcador tecidual de ativação endotelial.

O Conselheiro de Reumatologia entrevistou o Dr. Littlejohn para uma perspectiva clínica adicional sobre a fisiopatologia da fibromialgia e o papel da inflamação neurogênica no processo da doença.

Assessor de Reumatologia: Por que tem sido tão difícil para os pesquisadores determinar os mecanismos fisiopatológicos da fibromialgia?

Dr. Littlejohn: As principais características clínicas da fibromialgia que os pesquisadores focalizaram inicialmente foram dor generalizada e sensibilidade anormal a uma pressão suave. Inicialmente pensava-se que isso envolvesse predominantemente músculos, de modo que a pesquisa inicial focalizou uma origem muscular periférica da dor e da sensibilidade dos tecidos moles. Mais tarde, ficou evidente que todos os tecidos periféricos, não apenas os músculos, reduziram os limiares de dor na fibromialgia, indicando que uma anormalidade neurofisiológica central nos sistemas neurais relacionados à dor é a causa da sensibilidade alterada. Isso está ligado ao aumento da sensibilidade observada em outros sistemas sensoriais na fibromialgia, incluindo aumento da sensibilidade ao ruído, à luz, ao equilíbrio e a diversos produtos químicos. Assim, com o passar do tempo, o foco mudou para a identificação de mecanismos anormais nos centros superiores envolvidos com a dor e outras modulações sensoriais, particularmente aquelas na medula espinhal e no cérebro. Tudo isso levou tempo e exigiu melhores ferramentas de investigação, incluindo técnicas de imagem como ressonância magnética funcional e amostragem de fatores biológicos neuroativos em fluidos periféricos e espinhais.

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